domingo, 4 de dezembro de 2011

Escritos de Saudade




Um mar
Não um mar de poesias.
Mas um mar de lagrimas
De sentimentos loucos
De espera em vão
De saudade, de devoção!

Um mar
Não um mar de poesias.
Mas um mar de tristeza
De caminhos incertos
De belezas rotas
E feridas abertas!

Um mar
Não um mar de poesias.
Mas um mar de espera infinda
De soluços sufocados
Pela certeza da distância
Que os longos anos nos trouxe!

Queria eu
Declamar o mar,
A poesia que nele existe.
Declamar a felicidade e a alegria
O amor presente,
No lindo sorriso da mulher amada!

Queria eu
Declamar o mar
O explendoroso sol poente
Nas quentes tardes de verão!
E, embalado pelo som das águas,
Sentir a brisa fresca que ele trás!

Queria eu
Declamar a pintura que se forma no céu
E os raios dourados refletidos n’água
E entre essa majestosa pintura
Visualizar a amada surgindo ao longe
De braços abertos para mim!

Queria eu
Declamar a sua presença
E sentir suas mãos me envolver o pescoço
E calmamente pousar  a cabeça em seu peito
Para sentir o pulsar de seu sangue fervente
Ritmado por seu coração acelerado!

Queria eu
Declamar você
Mas não posso, e sabe por quê?
Estamos em outro tempo e nosso tempo passou
Passou como tudo passa na vida
E o tempo não volta!

Um tempo...
Um passado
Um passo mal dado
Milhões de arrependimentos!
Elo interrompido
Muita tristeza e...
Muita saudade!!!

 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A Flor do Maracujá



   Pelas rosas, pelos lírios,
   Pelas abelhas, sinhá,
   Pelas notas mais chorosas
   Do canto do Sabiá,
   Pelo cálice de angústias
   Da flor do maracujá !

   Pelo jasmim, pelo goivo,
   Pelo agreste manacá,
   Pelas gotas de sereno
   Nas folhas do gravatá,
   Pela coroa de espinhos
   Da flor do maracujá.

   Pelas tranças da mãe-d'água
   Que junto da fonte está,
   Pelos colibris que brincam
   Nas alvas plumas do ubá,
   Pelos cravos desenhados
   Na flor do maracujá.

   Pelas azuis borboletas
   Que descem do Panamá,
   Pelos tesouros ocultos
   Nas minas do Sincorá,
   Pelas chagas roxeadas
   Da flor do maracujá !

  Pelo mar, pelo deserto,
  Pelas montanhas, sinhá !
  Pelas florestas imensas
 Que falam de Jeová !
 Pela lança ensangüentado
 Da flor do maracujá !

  Por tudo que o céu revela !
  Por tudo que a terra dá
  Eu te juro que minh'alma
  De tua alma escrava está !!..
  Guarda contigo este emblema
  Da flor do maracujá !

   Não se enojem teus ouvidos
   De tantas rimas em - a -
   Mas ouve meus juramentos,
   Meus cantos ouve, sinhá! 
   Te peço pelos mistérios
    Da flor do maracujá!
              
            Fagundes Varela