terça-feira, 22 de maio de 2012

Máquinas Humanas

Somos máquinas.
Máquinas humanas
Que vivemos perambulando no meio da multidão!
Cabisbaixos, tristes!
Pensamentos perdidos 
Num mundo de preocupação e desesperança,
Procurando soluções, as vezes insolucionáveis.
Martirizando nossos corpos de homens...
E de animais racionais.
Vivemos por aí,
Nas grandes avenidas das grandes cidades.
Passando uns pelos outros sem nos notar.
Andamos como robôs, controlados,
Ligados a um computador!
De cabeça baixa, 
Cheia de problemas e à beira do stres total.
Não percebemos  que a qualquer momento...
Num pane geral, caímos ao chão,
Nos desligando afinal!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Eu


Sou um rei sem o seu trono
Um súdito que ficou no abandono!
Sou folhas caídas no outono
De um triste jardim que perdeu o seu dono!

Sou o que sou
Não sou o que você queria!
Vivo nas noites, na boemia
Mas morro quando me recolho, todos os dias!

Vivo cada momento
Como o último que tenho!
O tempo que passou é meu
O minuto seguinte não, só pertence a Deus!


domingo, 4 de dezembro de 2011

Escritos de Saudade




Um mar
Não um mar de poesias.
Mas um mar de lagrimas
De sentimentos loucos
De espera em vão
De saudade, de devoção!

Um mar
Não um mar de poesias.
Mas um mar de tristeza
De caminhos incertos
De belezas rotas
E feridas abertas!

Um mar
Não um mar de poesias.
Mas um mar de espera infinda
De soluços sufocados
Pela certeza da distância
Que os longos anos nos trouxe!

Queria eu
Declamar o mar,
A poesia que nele existe.
Declamar a felicidade e a alegria
O amor presente,
No lindo sorriso da mulher amada!

Queria eu
Declamar o mar
O explendoroso sol poente
Nas quentes tardes de verão!
E, embalado pelo som das águas,
Sentir a brisa fresca que ele trás!

Queria eu
Declamar a pintura que se forma no céu
E os raios dourados refletidos n’água
E entre essa majestosa pintura
Visualizar a amada surgindo ao longe
De braços abertos para mim!

Queria eu
Declamar a sua presença
E sentir suas mãos me envolver o pescoço
E calmamente pousar  a cabeça em seu peito
Para sentir o pulsar de seu sangue fervente
Ritmado por seu coração acelerado!

Queria eu
Declamar você
Mas não posso, e sabe por quê?
Estamos em outro tempo e nosso tempo passou
Passou como tudo passa na vida
E o tempo não volta!

Um tempo...
Um passado
Um passo mal dado
Milhões de arrependimentos!
Elo interrompido
Muita tristeza e...
Muita saudade!!!

 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A Flor do Maracujá



   Pelas rosas, pelos lírios,
   Pelas abelhas, sinhá,
   Pelas notas mais chorosas
   Do canto do Sabiá,
   Pelo cálice de angústias
   Da flor do maracujá !

   Pelo jasmim, pelo goivo,
   Pelo agreste manacá,
   Pelas gotas de sereno
   Nas folhas do gravatá,
   Pela coroa de espinhos
   Da flor do maracujá.

   Pelas tranças da mãe-d'água
   Que junto da fonte está,
   Pelos colibris que brincam
   Nas alvas plumas do ubá,
   Pelos cravos desenhados
   Na flor do maracujá.

   Pelas azuis borboletas
   Que descem do Panamá,
   Pelos tesouros ocultos
   Nas minas do Sincorá,
   Pelas chagas roxeadas
   Da flor do maracujá !

  Pelo mar, pelo deserto,
  Pelas montanhas, sinhá !
  Pelas florestas imensas
 Que falam de Jeová !
 Pela lança ensangüentado
 Da flor do maracujá !

  Por tudo que o céu revela !
  Por tudo que a terra dá
  Eu te juro que minh'alma
  De tua alma escrava está !!..
  Guarda contigo este emblema
  Da flor do maracujá !

   Não se enojem teus ouvidos
   De tantas rimas em - a -
   Mas ouve meus juramentos,
   Meus cantos ouve, sinhá! 
   Te peço pelos mistérios
    Da flor do maracujá!
              
            Fagundes Varela

terça-feira, 28 de junho de 2011

Navegante


Fechos os olhos e vejo
Bem profundo em minha mente,
A felicidade passar! Desplicente,
sem me notar!

Procuro no infinito
Um pouco de carinho, sem falsidade
Mas só encontro no caminho,
a tristeza...a saudade!

Vago em meus pensamentos
Por caminhos tortuosos e canso!
Estafado paro e meus lamentos
são os prantos!

Me vejo num oceano
Vagando na imensidão!
Uma brisa sopra e calmamente me leva
nas ondas da solidão!

Assim vou navegando
Sem rumo, por meu interior,
Esperando encontrar novamente
a essência do amor!

Amor fingido


Sabia eu como te querer!
E como te quis!
Quis tanto que me esqueci
de perguntar se me queria!
Adorei teu cabelo, teu cheiro!
Teu corpo de veludo e tudo mais.
Adorei teu sorriso e não desconfiei
o quão era fingido!
Idolatrei seu andar,
suas mãos delicadas!
E eu cego de amor, jamais percebi
o punhal que carregavas!
E que, entre um sorriso e um carinho,
pelas costas me apunhalava!
E com que ânsia matavas esse amor!



sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tempo


Um dia você me disse e, seu desabafo entendi assim:
Não tenho tempo,
De pensar em um tempo,
De achar um tempo
Para te dar atenção!

Vivo correndo!
Me batendo o dia todo e não dá!
O dia é tão curto!
Que sempre fica algo para amanhã!

A família!
Como ficar com a familia!
Se não fico nem comigo!
Estar com a família!
Se nem comigo estou!!


Vivo para o trabalho!
Me alimento e durmo trabalho!
Durmo!!! Não!
Pois dormindo, estou no trabalho!
Sonhos que são mais pesadelos!


Preciso urgente!
Achar um tempo!
De ter um pouco de tempo,
Para viver!

Preciso parar! Sentar!
Enfiar a cabeça entre as mãos e pensar:
O que estou fazendo comigo!
Com os meus que me cercam e me amam!
Meus amigos que se afastam!
Coitado, de mim!
Estou envelhecendo,
Sem ver a vida bela,
Que devo ter se tiver um pouco de tempo,
Para repartir sorrisos, um papo furado ou,
mesmo um olhar silencioso para quem me admira!
O tempo não para!
Não repõe os dias, meses e anos perdidos!
O tempo só avança...
O tempo!
Esse tempo que ocupa todo o tempo que não tenho...